A SOBLEC está publicando este manual para servir de guia para o médico oftalmologista no momento da prescrição das lentes no consultório, nos tornando mais conscientes das necessidades diárias de cada pessoa e no comando da escolha do que é melhor para os nossos pacientes. É apresentado todas as lentes monofocais, multifocais, regressivas e acomodativas, todos os tratamentos (lentes sem e com antirreflexo, fotossensíveis e filtros medicinais).

Iremos abordar conceitos, disponibilidades e tratamentos de todas as principais lentes do mercado brasileiro. Esperamos que o oftalmologista possa aprender e utilizar este guia no seu dia a dia de atendimento, melhorando a sua capacidade de prescrição. São apresentados os últimos lançamentos com os seus respectivos preços e à medida que forem tendo novidades e mudanças será atualizado.

A realização da refração é uma arte que requer habilidade, paciência, discernimento e conhecimento da técnica, bem como é necessário sabermos qual lente será aplicada para cada caso. Os óculos a serem prescritos devem ser amparados pelo grande conhecimento das características das lentes, sua qualidade óptica, seu peso (importante para o conforto na adaptação), espessura adequada (importante para a estética, qualidade óptica e o peso), proteção UV, anti-risco, antiembaçamento, óleo-repelência e hidro repelência. Necessitamos, portanto, adquirir conhecimento e experiência de todas as marcas e tipos de lentes disponíveis no Brasil. É importante termos a informação atualizada dos preços, pois não adiantará prescrevermos a melhor lente para cada caso, se não houver possibilidade financeira de ser adquirido.

A prescrição de lentes especiais na baixa visão é semelhante ao que é realizado em pessoas que tenham visão saudável. O grau de longe, deve, em quase todos os casos, sempre ser receitado, sendo complementado com algum auxílio óptico necessário ao caso. A diferença básica na prescrição do grau de longe, é que em alguns casos, o grau prescrito vem acompanhado do filtro medicinal indicado para aquela patologia (testado individualmente) e também algumas vezes será prescrito lentes com prismas, para ajudar na translocação da imagem para a área de melhor visão. Estes óculos de longe ajudam a estimular a visão, bem como devolvem uma parte da visão perdida na baixa visual. No grau de perto é prescrito as mesmas lentes de uma visão normal, utilizando-se adições maiores e se prescreve como complemento: óculos esfero ou asfero-prismáticos ou lupas que ajudem na realização de tarefas para perto. Também utilizamos, em alguns casos, telessistemas para longe e recursos eletrônicos para perto ou longe-perto.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que quase metade da população mundial tem dificuldade visual por falta de uso de lentes corretoras, isto é, necessitam apenas de lentes corretivas para verem melhor, sendo, portanto, o principal fator causal de baixa visão. Esta “cegueira” é muitas vezes causada por fatores econômicos, outras vezes por falta de informação. Menos de um terço dos brasileiros que necessitam de óculos usam o acessório (óculos). O esforço prolongado para enxergar pode provocar hiperemia conjuntival, blefarites, prurido ocular e cefaléia, além de baixa visual e dificuldade no desempenho das atividades do dia a dia.

CEGUEIRA ECONÔMICA

  • Refração 42,70%
  • Catarata 23,19%
  • DMRI 5,40%
  • Glaucoma 4,02%

Fonte: Organização Mundial da Saúde

QUANDO COMEÇAR?

A primeira avaliação deve ser feita logo após o nascimento. Na idade pré-escolar, uma nova consulta é imprescindível, mesmo que a criança não tenha queixas, pois nesta idade é quando mais se descobre casos de ambliopia. Quanto mais jovem for descoberto a ambliopia, melhor será o prognóstico e melhor a acuidade visual final. Acima dos 40 anos de idade é necessária avaliação em 100% dos casos, não só pelo aparecimento da presbiopia, como também, prevenção de inúmeras patologias oculares.

NECESSIDADE DE EXAME

  • Até 6 anos 100%
  • 7-18 anos 100%
  • 19-39 anos 100%
  • > 40 anos 100%

Fonte: Organização Mundial da Saúde

NECESSIDADE DE ÓCULOS

  • Até 6 anos 6%
  • 7-18 anos 10%
  • 19-39 anos 56%
  • > 40 anos 100%

Fonte: Organização Mundial da Saúde

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